Caminhadas de Emaús

Caminhadas de Emaús:
Cada caminho tem sua história. Emaús era uma cidade que ficava cerca de onze quilômetros de Jerusalém. O texto de Lucas é belíssimo. Dois discípulos, sentimentos em conflito. Dúvidas, inseguranças, saudade, apreensão. Vejo-me naqueles discípulos.

Às vezes tenho a sensação de caminhar para longe da promessa. Mas, como eles, prossigo no caminhar. A destreza de Lucas segue desenhando os detalhes: "Iam eles falando entre si de tudo o que havia sucedido". A cada passo, a insistente reconstrução da lembrança do Amado.

De repente, ele se apresenta. "Jesus aproximou-se e ia com eles", a delicadeza do Verbo é pura poesia. O Mestre começa sua aula magna. Interroga, comenta, expõe as Escrituras. Fala de si mesmo com tamanha humildade que passa despercebido pelos olhos. Mas não pelo coração. Sem alarde, o coração denuncia a santidade que caminha ao lado.

Encanta-me a doce insistência divina em revelar-se para a nossa vagarosa inteligência. O testemunho das mulheres, a comprovação ocular dos outros discípulos que foram ao túmulo, a chama ardendo no peito, tudo isso, mas uma espécie de casca impermeável parece obstruir a claridade da revelação. Ainda bem que ele é luz! Compreendo aqueles dois porque sou exatamente assim. Lento, sou um peregrino a buscar, vasculhar, ler, pesquisar alucinadamente. O peito arde, mas os olhos protestam.

Lucas nos brinda dizendo que "quando se aproximaram da aldeia para onde iam, fez ele como que ia para longe". O autor da peça sobe ao palco. Um jogo delicioso de espera. Um pedido silencioso pela permanência. O texto afirma que "eles o constrangeram dizendo: fica conosco, pois é tarde, e o dia já declina". Conjugação perfeita: o crepúsculo de um dia oferecendo-se como "desculpa" ao que é a "resplandecente estrela da manhã". O fim de um dia, anunciando o instante eterno. Anoitecer com ele. Ainda fazemos isso?

Ele cede. Entra na humildade da casa. Fim da caminhada? Não! Ao abençoar o pão, partir e dar, os olhos se abrem, a revelação se descortina. Ápice. Êxtase. O sumiço repentino interrompe o abraço inevitável. O texto prossegue: "Na mesma hora, levantando-se, voltaram para Jerusalém". Evangelho! Boas Novas! Já não era noite em seus corações. O que são onze quilômetros quando as certezas renascem? Ainda caminho assim quando ele me abraça. Não importa a distância. Mesmo que essa distância não seja entre lugares, mas entre corações.

Caminhadas de Emaús. Elas acontecem nesses encontros surpreendentes com uma gente de Deus que ainda aquece meu coração. Um amigo aqui, uma dessas "irmãs" velhinhas que a igreja guarda como tesouros do anonimato. Nosso caminho ainda é como o de Emaús: sobre um chão de promessas. Nossas noites ainda guardam surpresas. Nosso companheiro de caminhada ainda é a pura Palavra. Nossos corações, silenciosos, ainda denunciam o Deus que caminha.


Fonte: Alan Brizotti em seu blog
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Salmos 94

Salmos 94: Ó Senhor, Deus vingador;
Deus vingador! Intervém!
Levanta-te, Juiz da terra;
retribui aos orgulhosos o que merecem.
Até quando os ímpios, Senhor,
até quando os ímpios exultarão?
Eles despejam palavras arrogantes,
todos esses malfeitores enchem-se de vanglória.
Massacram o teu povo, Senhor,
e oprimem a tua herança;
matam as viúvas e os estrangeiros,
assassinam os órfãos,
e ainda dizem: "O Senhor não nos vê;
o Deus de Jacó nada percebe".
Insensatos, procurem entender!
E vocês, tolos, quando se tornarão sábios?
Será que quem fez o ouvido não ouve?
Será que quem formou o olho não vê?
Aquele que disciplina as nações
os deixará sem castigo?
Não tem sabedoria aquele
que dá ao homem o conhecimento?
O Senhor conhece os pensamentos do homem,
e sabe como são fúteis.
Como é feliz o homem a quem disciplinas,
Senhor, aquele a quem ensinas a tua lei;
tranqüilo, enfrentará os dias maus,
enquanto que, para os ímpios, uma cova se abrirá.
O Senhor não desamparará o seu povo;
jamais abandonará a sua herança.
Voltará a haver justiça nos julgamentos,
e todos os retos de coração a seguirão.
Quem se levantará a meu favor contra os ímpios?
Quem ficará a meu lado contra os malfeitores?
Não fosse a ajuda do Senhor,
eu já estaria habitando no silêncio.
Quando eu disse: "Os meus pés escorregaram",
o teu amor leal, Senhor, me amparou!
Quando a ansiedade já me dominava no íntimo,
o teu consolo trouxe alívio à minha alma.
Poderá um trono corrupto estar em aliança contigo?
um trono que faz injustiças em nome da lei?
Eles planejam contra a vida dos justos
e condenam os inocentes à morte.
Mas o Senhor é a minha torre segura;
o meu Deus é a rocha em que encontro refúgio.
Fará cair sobre eles os seus crimes,
e os destruirá por causa dos seus pecados;
o Senhor, o nosso Deus, os destruirá!



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